torsdag 21 april 2016

Alexandre

Alexandre, 6 anos, meu neto número três, se eu disser que ele é inteligente, bonito e esperto meus leitores vão pensar: Avó coruja! Sou, não nego.
Meu neto tem olhos que parecem duas jabuticabas maduras e seu olhar traz a doçura delas, cabelos negros tipo índio esperto que caça com destreza e mostra a presa como recompensa.

Meu neto é chamado de polvo pelos familiares, porque ele tem uma energia ímpar. Sua mãe o acolhe de alguma peraltice e enquanto ela o traz para um lugar seguro para conversar, ele com suas mãozinhas nervosas vai colhendo tudo o que ele consegue alcançar. Supermercado com ele? Deus toma conta! Nem precisa de academia para emagrecer, ele consegue pegar todos os produtos para ver preço, como o produto é, e mil outras qualidades que ele atribui aos produtos. Enquanto a gente consegue tirar um produto de suas mãos e colocá-lo de volta, ele já tem outros tantos nas mãos correndo o risco de fazer uma lambança pelos corredores dos supermercados.

Sua imaginação é fértil. Quando ligo para minha filha e ele à velocidade da luz atende o telefone detalhando todos os acontecimentos da casa. Alexandre não guarda segredos.
Uma vez depois de um papo de quase uma hora com ele, pretendia falar com sua mãe, pois o assunto havia acabado e ele querendo continuar a conversa me disse:
- Vó, eu tenho um presente pra você.
- Que maravilha, o que você comprou pra mim?
- Um vestido lindo e você vai ficar linda.
- Obrigada, meu amor. A vovó ficou feliz com seu presente.
- Comprei também uma sapato de salto, um brinco, uma pulseira, um colar, maquiagem e um perfume para você ficar linda e cheirosa.

Eu amo Alexandre e seus presentes imaginários. Ele me faz sentir a avó mais jovem, mais bela entre outras belas avós.
Família que se presenteia unida, permanece unida.

Carinhosamente

Gislania Dornelas

Flen, 21 de abril de 2016


Quem sou eu?

Meu nome é Gislania Dornelas, 54 anos um tipo de pessoa lúcida que escconde um lado maluco.
Nasci em Minas Gerais, filha de garimpeiro e por isso me sinto uma jóia. Desulpem a ousadia, é que minha auto-estima é elevadíssima.
Nos anos 80 mudei para Ribeirão Preto em busca de novos desafios além deles e dos deliciosos cafés com pessoas iluminadas, contraí um casamento, dois filhos e quatro netos.
Ainda em Ribeirão reforcei as experiências incríveis sobre lucidez, me levando a uma crise pessoal entre prestar contas para a sociedade e ser livre de preconceitos, foi uma luta fascinante.
No final do milênio meu casamento de conto de fadas caiu por terras me levando à perda total de quem eu era.
Fui tentar me encontrar através de religiões e em todas elas não me identifiquei e continuei atrás de meu encontro pessoal e nesta busca, percebi que não preciso de religiões para encontrar com Deus, porque foi dirigindo, foi no meio de crises que Ele me estendeu a mão e me mostrou que não estou só.
Para curar a dor de um relacionamento fracassado busquei outro como remédio e esta foi uma escolha perigosa, pois não me trouxe benefícios e levando outra pessoa a sofrer pela perda do mesmo.
Não desisti da busca pela felicidade e de um relacionamento perfeito e foi aí que desci ainda mais fundo e ao mesmo tempo tive a melhor faculdade que alguém possa ter.
Como disse antes, sou maluca e persistente, atravessei o oceano atlântico mais uma vez, deixando uma história, uma família que me ama, em busca do tal relacionamento de alma.
Moro na Suécia há 9 anos, estou no segundo relacionamento aqui e este último conta com uma história de sete anos. Perfeito? Não. só aprendi que tenho que ser paciente e lidar com as diferenças.
Durante minha existência, experimentei novos estilos de vida, superei ausências, chorei sozinha olhando pela janela, sentindo tristezas e saudades dos que deixei para atrás e a distância geográfica que me separa de minhas raízes. Fui vítima de muitas maldades, porém curei minhas feridas com amor e hoje creio na minha capacidade de consquistar qualquer coisa. A única coisa que temo sou eu mesma, porque não sei quando vou jogar tudo pro alto e tentar de novo.
Não quero ficar que nem uma pedra no mesmo lugar sem ter feito algo para me superar.
Hoje tenho um trabalho que me traz satisfação e dele vou tirar novas histórias de loucuras para contar.
Como sempre corri atrás das realizações rápidas, a vida deu um jeito de me segurar neste país onde tudo anda de câmera lenta, ou não anda, mas como diz a sabedoria popular: ”Devagar se vai ao longe”

Carinhosamente

Gislania Dornelas


Flen, 21 de abril de 2016