Vivo
em constante busca de identidade. Quero ser eu, mas quem sou EU? Não
nasci com um manual de instruções,
desta forma vou experimentando formas e situações
que me fazem sentir bem comigo mesma.
Tenho
procrastinado a escrever por conta de uma desculpa comum: ”Falta de
tempo”.
Quando tinha dezesseis anos meu tio me perguntou porque eu não fazia um
curso de inglês e respondi que não tinha tempo. Ele me disse:
”Falta de tempo é a desculpa dos que perdem tempo por falta de
método”. Todas vezes que preciso abrir a boca para falar inglês
sem muito êxito lembro dele (In memoriam).
Deveria
sentar e lamentar o tempo perdido, mas tempo é uma coisa que que
nunca recuperamos, porém não e pensando nisto que vamos desperdiçar
mais tempo ainda. Podemos usar o nosso ”agora” para fazer um novo
começo
e realizar um novo fim.
Quando
falamos de conquista pensamos em algo explendoroso, descobertas,
grandes criações,
isso não é necessário exatamentee agora, mas se quisermos sermos
bom em algo precisamos nos especializar nisto. As coisas podem ir se
manifestando sutilmente nas nossas pequenas atitudes e comportamentos
diários começando
pela nossa casa.
Digo
nossa casa, porque uma amiga me sugeriu dar cursos de como monitorar
uma casa e outra me deu ideia de escrever ensinando como se organizar
dentro de casa conciliando com o trabalho fora dela.
Meu
pessimismo me deixou pensar que o curso não passaria de dois ou três
dias e a escrita não passaria de dois ou três posts.
Não
sei o que isso vai virar, não importa, o que importa é que estou
aqui dividindo minhas experiências, mesmo que alguém já tenha
escrito sobre isso. A pintura de uma imagem tem detalhes diferentes na visão de diferentes artistas e diferentes perspectivas.
Vamos
pintar a nossa tela, dou detalhes e vocês coloquem em suas práticas a cor e o detalhe desejado.
Quando
adoslecente minha mãe dizia que uma casa com camas arrumadas e louça
limpa tem aparência de casa arrumada, mesmo que não tenhámos feito
isso.
Alguns
meses atrás ouvi no Rádio sueco que pessoas que tem o costume de
arrumar camas depois de levantarem, têm um sono reparador. O
primeiro dia pode ser dificil perder cinco minutos para arrumar a
cama, mas depois de uma noite reparadora de sono, qualquer um poderá
ter êxito.
Meu
costume anterior era arrumar cama todos os dias e nos finais de
semana, não era uma regra, mas às vezes deixava a cama sem arrumar.
Depois de ouvir o rádio resolvi intensificar o que havia aprendido e
percebi que ainda acordo no meio da noite, mas o que dormi realmente
foi um sono reparador.
Alguns
anos perdi o controle da minha vida. Este descontrole começou
com uma doença
na família, que causou problemas financeiros, que causou o fim de um
relacionamento, que causou depressão que causou problemas no
trabalho, problemas emocionais, mais problemas financeiros e
problemas para manter a higiene de minha casa.
Mal
conseguia fazer comida, lavar roupas e estas viraram uma pilha enorme para
passar. A falta da máquina de lavar louça
que também resolveu parar de funcionar, deixava a pia cheia de
louças
e horas tortuosas quando tinha que enfrentá-las.
Não
queria voltar para casa depois do trabalho, não queria olhar para a
casa suja, não queria olhar para a desordem dentro de mim e dirigi
sem direção
na companhia dos meus pensamentos negativos, da minha baixa estima. E
um voz interna gritou dentro de mim. ”Comece pela coisa mais
simples, mas recomece.
Fui
para casa troquei de roupa e fui lavar a louça
- fogão limpo, pia limpa, chão da cozinha limpo e cheiroso, deu uma
sensação
de bem estar. E às tres horas da manhã quando perdi o sono fui
passar roupa, porque era mais fresco. E a medida que os espaços
se abriam e ficam limpos, meu lado interno também começou a se
reorganizar.
No
final da semana com a casa esta organizada tive tempo para pintar o
cabelo e fazer unhas. Tive tempo para mim, para me amar, para gostar
de mim.
Se
você quer ser amado comece a se amar, comece a olhar para si mesmo,
se tem alguém que pode fazer algo por você, esse alguém é você
mesmo, não espere que alguém te salve, te ajude, te tire do fundo
do posso. A gente foi pra lá sozinho e é só agente mesmo que pode
sair de lá. Não adianta assumir o papel de vítima e ficar
esperando algo a não ser de você mesmo.
Isto
está longo e vamos refletir nisto. O tempo é agora.
Tem
louça suja? Vá lavar e amanhã volte para ler um novo texto.
Carinhosamente
Gislania
Dornelas
Flen,
09/09/2016



