Meu
nome é Gislania Dornelas, 54 anos um tipo de pessoa lúcida que
escconde um lado maluco.
Nasci
em Minas Gerais, filha de garimpeiro e por isso me sinto uma jóia.
Desulpem a ousadia, é que minha auto-estima é elevadíssima.
Nos
anos 80 mudei para Ribeirão Preto em busca de novos desafios além
deles e dos deliciosos cafés com pessoas iluminadas, contraí um
casamento, dois filhos e quatro netos.
Ainda
em Ribeirão reforcei as experiências incríveis sobre lucidez, me
levando a uma crise pessoal entre prestar contas para a sociedade e
ser livre de preconceitos, foi uma luta fascinante.
No
final do milênio meu casamento de conto de fadas caiu por
terras me levando à perda total de quem eu era.
Fui
tentar me encontrar através de religiões e em todas elas não me
identifiquei e continuei atrás de meu encontro pessoal e nesta
busca, percebi que não preciso de religiões para encontrar com
Deus, porque foi dirigindo, foi no meio de crises que Ele me estendeu
a mão e me mostrou que não estou só.
Para
curar a dor de um relacionamento fracassado busquei outro como
remédio e esta foi uma escolha perigosa, pois não me trouxe
benefícios e levando outra pessoa a sofrer pela perda do mesmo.
Não
desisti da busca pela felicidade e de um relacionamento perfeito e
foi aí que desci ainda mais fundo e ao mesmo tempo tive a melhor
faculdade que alguém possa ter.
Como
disse antes, sou maluca e persistente, atravessei o oceano atlântico
mais uma vez, deixando uma história, uma família que me ama, em
busca do tal relacionamento de alma.
Moro
na Suécia há 9 anos, estou no segundo relacionamento aqui e este
último conta com uma história de sete anos. Perfeito? Não. só
aprendi que tenho que ser paciente e lidar com as diferenças.
Durante
minha existência, experimentei novos estilos de vida, superei
ausências, chorei sozinha olhando pela janela, sentindo tristezas e
saudades dos que deixei para atrás e a distância geográfica que me
separa de minhas raízes. Fui vítima de muitas maldades, porém
curei minhas feridas com amor e hoje creio na minha capacidade de
consquistar qualquer coisa. A única coisa que temo sou eu mesma,
porque não sei quando vou jogar tudo pro alto e tentar de novo.
Não
quero ficar que nem uma pedra no mesmo lugar sem ter feito algo para
me superar.
Hoje
tenho um trabalho que me traz satisfação
e dele vou tirar novas histórias de loucuras para contar.
Como
sempre corri atrás das realizações
rápidas, a vida deu um jeito de me segurar neste país onde tudo
anda de câmera lenta, ou não anda, mas como diz a sabedoria
popular: ”Devagar se vai ao longe”
Carinhosamente
Gislania
Dornelas
Flen,
21 de abril de 2016

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