torsdag 21 april 2016

Quem sou eu?

Meu nome é Gislania Dornelas, 54 anos um tipo de pessoa lúcida que escconde um lado maluco.
Nasci em Minas Gerais, filha de garimpeiro e por isso me sinto uma jóia. Desulpem a ousadia, é que minha auto-estima é elevadíssima.
Nos anos 80 mudei para Ribeirão Preto em busca de novos desafios além deles e dos deliciosos cafés com pessoas iluminadas, contraí um casamento, dois filhos e quatro netos.
Ainda em Ribeirão reforcei as experiências incríveis sobre lucidez, me levando a uma crise pessoal entre prestar contas para a sociedade e ser livre de preconceitos, foi uma luta fascinante.
No final do milênio meu casamento de conto de fadas caiu por terras me levando à perda total de quem eu era.
Fui tentar me encontrar através de religiões e em todas elas não me identifiquei e continuei atrás de meu encontro pessoal e nesta busca, percebi que não preciso de religiões para encontrar com Deus, porque foi dirigindo, foi no meio de crises que Ele me estendeu a mão e me mostrou que não estou só.
Para curar a dor de um relacionamento fracassado busquei outro como remédio e esta foi uma escolha perigosa, pois não me trouxe benefícios e levando outra pessoa a sofrer pela perda do mesmo.
Não desisti da busca pela felicidade e de um relacionamento perfeito e foi aí que desci ainda mais fundo e ao mesmo tempo tive a melhor faculdade que alguém possa ter.
Como disse antes, sou maluca e persistente, atravessei o oceano atlântico mais uma vez, deixando uma história, uma família que me ama, em busca do tal relacionamento de alma.
Moro na Suécia há 9 anos, estou no segundo relacionamento aqui e este último conta com uma história de sete anos. Perfeito? Não. só aprendi que tenho que ser paciente e lidar com as diferenças.
Durante minha existência, experimentei novos estilos de vida, superei ausências, chorei sozinha olhando pela janela, sentindo tristezas e saudades dos que deixei para atrás e a distância geográfica que me separa de minhas raízes. Fui vítima de muitas maldades, porém curei minhas feridas com amor e hoje creio na minha capacidade de consquistar qualquer coisa. A única coisa que temo sou eu mesma, porque não sei quando vou jogar tudo pro alto e tentar de novo.
Não quero ficar que nem uma pedra no mesmo lugar sem ter feito algo para me superar.
Hoje tenho um trabalho que me traz satisfação e dele vou tirar novas histórias de loucuras para contar.
Como sempre corri atrás das realizações rápidas, a vida deu um jeito de me segurar neste país onde tudo anda de câmera lenta, ou não anda, mas como diz a sabedoria popular: ”Devagar se vai ao longe”

Carinhosamente

Gislania Dornelas


Flen, 21 de abril de 2016


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